A insegurança pública no Maranhão continua sendo um desafio persistente mesmo com anúncios de reforço e estratégias da gestão estadual. Apesar de dados oficiais mostrarem redução de alguns índices em determinadas regiões, episódios recentes mostram que a sensação de desproteção não vai embora. Hoje (25), um idoso identificado como Jessé Ramos da Silva, de 72 anos, foi morto a tiros no bairro Cohatrac V, em São Luís. O crime foi gravado por câmeras de segurança.
Os números oficiais da Secretaria de Estado da Segurança Pública do Maranhão (SSP-MA) apontam quedas em determinadas métricas de mortes violentas intencionais (MVI) e latrocínios, e regiões como a Grande Ilha tiveram momentos de recuo nos homicídios dolosos. No entanto, os dados de outubro mostram acúmulo preocupante, a Grande São Luís já registrou 30 homicídios neste ano, com crescimento no indicador de CVLI (crimes violentos letais intencionais) em comparação ao mesmo período anterior.
A crise na segurança pública coincide com outro dado preocupante. O Anuário Brasileiro de Segurança Pública aponta que o Maranhão vem reduzindo em 10,2 por cento os investimentos no setor nos últimos quatro anos. No ano passado esse valor caiu para pouco mais de dois bilhões sessenta milhões, uma diferença de duzentos e trinta e três milhões. O resultado dessa queda é claro. O Maranhão ocupa a última posição nacional em investimentos per capita em segurança com apenas trezentos e quatro reais por habitante. Outros estados, como o Amapá, investem quatro vezes mais.
Essa redução ajuda a explicar porque cidades como Caxias aparecem entre as cinquenta mais violentas do Brasil. Mesmo assim o governo tenta sustentar a ideia de que a gestão atual tem avançado, quando na verdade o cenário mostra o oposto. A população convive com ataques, assaltos, homicídios e sensação permanente de abandono.
O comando da segurança pública também levanta questionamentos. O secretário Maurício Ribeiro Martins, delegado de carreira, assumiu a pasta após indicação que circulava nos bastidores como fruto de articulação familiar. Ele é cunhado do ex-deputado Raimundo Cutrim, figura histórica da segurança e que sempre exerceu influência no setor. Cutrim era cotado para assumir a secretaria, mas enfrentava resistência política. A ida de Maurício para o cargo acabou favorecendo interesses internos e alimentou suspeitas sobre quem realmente toma decisões no topo da segurança pública.
A dúvida permanece. A insegurança cresce porque falta preparo no comando, falta investimento ou falta independência dentro da própria cúpula? Se o secretário não consegue entregar resultados, estaria perdido no cargo ou submetido a influências políticas que travam a gestão? Enquanto o governo tenta sustentar uma narrativa otimista, a população paga o preço com medo e vidas perdidas. O caso do idoso assassinado no Cohatrac mostra que algo está profundamente errado e exige respostas imediatas.