Perguntada sobre seu posicionamento político, Eliziane tenta fugir, enrola e acaba se entregando

A senadora maranhense Eliziane Gama (PSD) deu mais uma demonstração de sua completa incoerência política ao conceder entrevista à página Assembleiano de Valor nesta segunda-feira (22). Questionada de forma clara se é uma política de direita ou de esquerda, a parlamentar simplesmente fugiu da resposta.

Em vez de dizer qual é sua posição política, Eliziane passou vários minutos falando da sua origem na Assembleia de Deus, do pai pastor, do irmão pastor, do cunhado pastor, do tio pastor e da mãe dirigente de círculo de oração. Falou de tudo, menos do que foi perguntado.

Ao afirmar que é “uma política do Senhor Jesus” e “uma política da Assembleia de Deus”, a senadora misturou fé com política numa tentativa evidente de agradar o público evangélico, sem assumir suas escolhas reais no Senado Federal.

A contradição aparece logo em seguida. A própria Eliziane admite que integra a base de sustentação do presidente Lula e faz elogios ao governo petista, dizendo que ele é “responsável” na política social. Ou seja, na prática, a senadora atua alinhada à esquerda, mas evita assumir isso publicamente diante de um eleitorado que, em grande parte, rejeita o atual presidente.

Na atuação concreta, Eliziane tem votado a favor dos principais projetos do governo Lula, acompanhando a orientação do Planalto em pautas centrais no Senado. Mesmo assim, prefere não se rotular politicamente e tenta se escorar apenas no discurso religioso, como se a fé fosse suficiente para explicar suas decisões políticas.

Outro ponto que chama atenção é a tentativa constante de empurrar goela abaixo a ideia de que o apoio ao governo Lula seria algo natural para os evangélicos, ignorando que há diversidade de pensamento dentro das igrejas e que muitos fiéis não concordam com esse alinhamento.

No fim das contas, a entrevista deixou claro que Eliziane não respondeu o que foi perguntado. Falou muito, explicou pouco e evitou assumir o óbvio: pode até se dizer “do Senhor Jesus”, mas no Senado atua como aliada fiel do governo Lula. A pergunta segue sem resposta, talvez porque a resposta não agrade a todos.