Enquanto o Rio Munim corre calmamente, servindo de fronteira natural entre Presidente Juscelino e Cachoeira Grande, as águas na Câmara Municipal de Juscelino andam bastante agitadas. Na sessão desta quinta-feira (16), o vereador Leonardo Castro subiu à tribuna não para falar da paisagem, mas para lançar uma rede de denúncias que, se confirmadas, mostram que a gestão do Dr. Pedro Paulo está praticando uma espécie de “caridade administrativa” com o chapéu alheio.
A denúncia aponta que a Prefeitura de Presidente Juscelino parece ter se transformado em uma agência de empregos para os vizinhos de Cachoeira Grande. Segundo o parlamentar, o prefeito tem buscado mão de obra na cidade vizinha, enquanto os juscelinenses assistem, de braços cruzados e bolsos vazios, o barco da oportunidade passar.
Seria uma estratégia de integração regional ou apenas um “intercâmbio” político? Afinal, é notório nos bastidores que a primeira-dama nutre pretensões políticas em Cachoeira Grande. Parece que a gestão do Dr. Pedro Paulo decidiu que a melhor forma de fazer política na cidade vizinha é usando a folha de pagamento da própria casa.
Mas as denúncias não param na fronteira. O vereador também apontou para a produção de vídeos para diversas secretarias, que estariam sendo realizados via dispensa de licitação. Pelo visto, a agilidade para contratar empresas de audiovisual é muito superior à vontade de realizar concursos ou processos seletivos transparentes para o povo da terra.
Para completar o cenário de “exportação de mão de obra”, como classificado na tribuna, surge a denúncia de atraso salarial dos funcionários contratados. Ou seja, para quem é de fora, o convite; para quem é da casa e está trabalhando, a espera.
Diante de um quadro que mistura suposto favorecimento político em município vizinho, falta de prioridade para os cidadãos juscelinenses e manobras em licitações, a pergunta que fica no ar é, até onde vai a profundidade desse rio de irregularidades?
Espera-se que o Ministério Público não precise de uma balsa para atravessar o Munim e enxergar o que está acontecendo sob as barbas da gestão do Dr. Pedro Paulo. O povo de Presidente Juscelino paga seus impostos para ter dignidade e trabalho em sua própria cidade, e não para financiar projetos políticos de terceiros do outro lado da margem.
Se a ideia era criar um “Binômio Urbano”, esqueceram de avisar que a união deveria ser para o progresso, e não para a exportação de recursos e oportunidades.