Baixada a poeira depois do ataque que tirou Nicolás Maduro e a esposa do Palácio de Miraflores, a Venezuela vive um momento estranho. O clima está menos pesado, mas longe de ser tranquilo. O medo diminuiu um pouco, porém a incerteza continua. A grande pergunta nas ruas e fora do país é simples: quem governa a Venezuela de verdade agora?
No papel, quem assumiu foi Delcy Rodríguez, como presidente interina. Mas, na prática, pouca coisa mudou. Delcy sempre foi uma das principais figuras do governo Maduro, responsável por decisões importantes. Para muitos, a troca parece mais de nome do que de poder: sai Maduro, fica o chavismo.
Há ainda suspeitas de que essa mudança já vinha sendo negociada antes do ataque, inclusive com interlocutores dos Estados Unidos. Relatos indicam que Delcy teria sido sondada meses antes, o que levanta dúvidas se o ataque foi o início da mudança ou apenas o momento em que um acordo já costurado veio à tona.
Hoje, o poder segue concentrado no mesmo tripé: Delcy no comando formal, os militares garantindo a ordem e os órgãos de segurança mantendo o controle. Para Washington, Delcy pode ser útil, principalmente por causa do petróleo. Para o povo venezuelano, porém, a sensação é de frustração: mudou o rosto, mas o sistema continua o mesmo.
A Venezuela vive agora entre a queda de um homem e a permanência de um regime. Se Delcy será ponte para eleições livres ou apenas uma nova guardiã do chavismo, só o tempo dirá. Por enquanto, o país saiu do sufoco, mas ainda não chegou à liberdade.