Em mais um movimento claro de tentativa de sobrevivência política, a senadora Eliziane Gama utilizou nesta quinta-feira (18) Assembleia Geral Ordinária (AGO) da Convenção Estadual das Assembleias de Deus no Maranhão (CEADEMA) em Buriticupu, como palco para um discurso que soou menos como fé e mais como estratégia eleitoral visando 2026.
Diante de pastores e lideranças evangélicas, a senadora afirmou que seu mandato “pertence à igreja” e que toda a estrutura do seu gabinete estaria à disposição dela. A fala, longe de ser apenas simbólica, foi interpretada como uma tentativa explícita de amarrar apoio político usando a fé como instrumento.
O problema é que o discurso não convence mais. Nos bastidores, a leitura é clara: a senadora perdeu força, inclusive entre os evangélicos, grupo que já foi sua principal base. Em vez de apresentar resultados concretos do mandato, Eliziane aposta em frases prontas e emoção religiosa para tentar conter o desgaste.
O uso da fé como escudo político escancara a fragilidade de quem já não consegue dialogar com o eleitor fora da bolha. Transformar igreja em palanque não fortalece a política nem a religião. Apenas revela desespero eleitoral.
Eliziane Gama já foi símbolo de renovação política no Maranhão. Eleita com um discurso de fé, ética e compromisso com as causas sociais, chegou ao Senado Federal como promessa de mudança e força feminina na política nacional. Mas o tempo passou, e os números mostram que a confiança do eleitorado maranhense se esgotou. A senadora, outrora ovacionada, agora enfrenta um dos piores momentos de sua carreira pública e corre o risco de ser varrida de vez da política.
Quando o mandato vira propriedade e a fé vira moeda de troca, o resultado costuma ser um só, rejeição nas urnas.