MP aponta prefeito João Carlos e deputada Edna Santos como líderes de desvio de verbas públicas em Buriticupu

O Ministério Público do Maranhão, por meio da 1ª Promotoria de Justiça de Buriticupu, ingressou, no último dia 20, com uma Ação Civil Pública por atos de improbidade administrativa contra oito pessoas e duas empresas. São eles, o prefeito de João Carlos Teixeira da Silva, a deputada estadual Edna Santos Silva e outros envolvidos, apontando a existência de um esquema organizado dentro da prefeitura de Buriticupu. Também são citados Afonso Barros Batista, Vandecleber Freitas Silva, Chrystiane Piancó Lima, Áurea Cristina Costa Flor, Eurandino Valero Martins e Antonio Leandro Lima do Nascimento, além dos empresários Antonio Pereira da Silva e Izaque Gomes Araújo, e dos operadores financeiros Joseli de Souza Pereira e Sérgio Soares de Amorim. O prejuízo passa de R$ 3,3 milhões.

De acordo com a ação, o esquema teria sido montado a partir de um pregão para compra de alimentos da merenda escolar. O processo, segundo o MP, foi cheio de falhas, sem transparência e com regras que dificultavam a concorrência, favorecendo diretamente a empresa A. Pereira da Silva Ltda., que mesmo sem estrutura, funcionários ou veículos, acabou fechando contratos milionários. A empresa chegou a receber mais de R$ 3,3 milhões, com itens superfaturados em até 70%, como arroz e outros produtos básicos.

As investigações também apontam que o dinheiro pago à empresa não parava por ali. Parte dos valores voltava por meio de transferências para contas de agentes públicos, incluindo prefeito, deputada e secretários, numa tentativa de dificultar o rastreamento. Segundo o MP, esse dinheiro era distribuído para manter apoio político, silêncio e funcionamento do esquema.

Outro ponto que chama atenção é o papel de outras empresas e operadores financeiros, que ajudariam a circular os valores. Há casos de movimentações milionárias incompatíveis com a renda declarada, incluindo saques em dinheiro vivo e transferências em sequência no mesmo dia.

Diante disso, o Ministério Público pede a condenação dos envolvidos, com devolução do dinheiro, perda de cargos, suspensão dos direitos políticos por até 14 anos e proibição de contratar com o poder público. O caso agora segue na Justiça e pode ter novos desdobramentos.