Na política maranhense, Paulo Victor vive uma metamorfose constante. Assim como quem muda de cor para se encaixar em qualquer cenário, o presidente da Câmara Municipal de São Luís troca de rota e de aliados com a mesma facilidade que troca de foto no Instagram. Num dia declara amor ao vice Felipe Camarão, já no último sábado (8) pousou ao lado do governador Carlos Brandão e anuncia “realinhamento”.
Só que essa mudança sucessiva cobra preço. A construção política precisa de rumo, caráter, coerência e consistência. Quando um político muda toda semana, não há narrativa que sustente, nem discurso que se firme. Por isso, brandonistas, dinistas e braidistas começam a olhar Paulo Victor à distância. Ele circula em três mundos diferentes, mas não pertence de verdade a nenhum deles.
E quando nenhum grupo sabe se pode confiar, a metamorfose que deveria gerar força passa a gerar isolamento. Paulo Victor deixou de ser protagonista e virou apenas o exemplo mais claro do político que se transforma tanto, que perdeu o próprio sentido de quem é. E isso, no tabuleiro eleitoral, cobra caro, política é construção. E quem não tem identidade, acaba sendo apenas figurante do próprio roteiro.