Braide: “E agora, quem poderá nos ajudar?”

A pergunta no título desta matéria ficou famosa por causa do seriado mexicano Chapolin Colorado, exibido durante muitos anos no Brasil pelo Sistema Brasileiro de Televisão (SBT). Criado e estrelado pelo ator e escritor Roberto Gómez Bolaños, a série parodiava os heróis norte-americanos e fazia constantemente críticas sociais em relação à América Latina. Personagens da trama sempre pronunciavam a pergunta cada vez que um perigo iminente as ameaçava. Em resposta, o disposto e atrapalhado protagonista sempre aparecia gritando: “Eu, o Chapolin Colorado.”

Parece brincadeira, mas não é. Esta é exatamente a pergunta mais apropriada para as 700 mil pessoas que utilizam diariamente o transporte público na capital: E agora, quem poderá nos ajudar?

Segundo dados do próprio sistema de transporte e órgãos oficiais, cerca de 600 mil a 700 mil pessoas dependem diariamente dos ônibus. É praticamente a metade da cidade dependendo de um serviço que, hoje, não dá conta.

E o que se vê? Paradas lotadas, ônibus sumindo das linhas, trabalhadores chegando atrasados, gente ficando no meio do caminho sem saber como voltar pra casa.

De um lado, o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de São Luís aponta falta de repasses e diz que não consegue manter o sistema funcionando.
Do outro, a Prefeitura de São Luís, Braide, afirma que tem feito pagamentos e tenta jogar a responsabilidade para as empresas.

No meio disso tudo, entra a Justiça, com decisões, reuniões, audiências… mas o problema continua. E no meio desse jogo de empurra? A população.

Quem precisa acordar cedo não quer saber de reunião, vídeo no instagram e nota oficial ou decisão judicial. Quer chegar no trabalho. Quer voltar pra casa. Quer o básico funcionando.

Mas hoje, a sensação é outra, ninguém resolve. O sistema parece travado, as empresas param, a prefeitura não resolve, a Justiça tenta mediar… e a cidade vai ficando à deriva.

E agora, no meio desse caos no transporte, quem assumirá para os usuários o papel do Chapolin Colorado? Quem poderá nos ajudar? Quem vai aparecer pra resolver de verdade? Porque até agora, ninguém. Nem prefeitura, nem empresas, nem decisões da Justiça conseguiram dar uma resposta que funcione na prática.

E no meio de tudo isso, a sensação que fica é que a “astúcia” do prefeito Eduardo Braide parece funcionar melhor nas redes sociais do que na vida real. Enquanto no Instagram tudo parece resolvido, organizado e sob controle, nas ruas a população enfrenta ônibus parados, demora e abandono. Porque governar cidade não é postar, é resolver.

E aí a pergunta volta, mais atual do que nunca: E agora, quem poderá nos ajudar?

Porque, do jeito que está, o transporte de São Luís não é só um problema. Já virou data oficial no calendário dos ludovicenses.