Esmênia está comendo o pão que o Braide amassou

Diz o ditado que quem sai por último apaga a luz, mas no caso da Prefeitura de São Luís, Eduardo Braide saiu para tentar ser governador e deixou uma conta de luz altíssima, várias goteiras e um telhado prestes a desabar no colo de Esmênia Miranda. A nova prefeita assumiu o Palácio de La Ravardière no último dia 31, cercada de “presentes de grego” que agora estouram diariamente em sua mesa.

A primeira grande crise veio sobre rodas. Braide renunciou prometendo uma nova licitação que nunca saiu do papel. O resultado? O Consórcio Via SL faliu, parou os ônibus e deixou dezenas de bairros a pé. Sobrou para Esmênia a missão inglória de, por determinação da Justiça, assumir no susto a operação das linhas, alugar ônibus às pressas e ainda ter que depositar R$ 10 mil mensais por veículo em conta judicial. É a prefeitura fazendo o trabalho que a licitação “fantasma” de Braide deveria ter resolvido.

Se o ônibus não funciona, Braide criou o “vouche emergencial” via aplicativo (99). Parecia uma solução mágica, mas a conta chegou agora, uma nota de débito de R$ 7,6 milhões referente apenas ao mês de março. O problema? A gestão anterior não colocou travas no sistema. Tem corrida feita de madrugada, viagens fora de São Luís e usuários usando mais vouchers do que o permitido. Enquanto o subsídio do ônibus custava R$ 5 milhões para levar 400 mil pessoas, a “solução” de Braide custou quase R$ 8 milhões para atender menos gente. E quem tem que decidir se paga ou se corta essa conta cheia de furos é Esmênia.

Na educação, o clima é de guerra. Braide saiu deixando os professores sem diálogo por dois anos. A categoria chegou a fazer uma paralização em frente à Semed no dia 8. O motivo é uma regra herdada que exige que os professores façam o planejamento dentro de escolas que, muitas vezes, não têm nem internet nem sala decente para eles trabalharem.

Para completar o cenário de abandono, tem o Passe Livre Estudantil. Aprovado por 90% da população em plebiscito, o projeto foi engavetado por Braide durante meses. Ele não enviou o projeto para a Câmara, não indicou representantes para a comissão e deixou os estudantes esperançosos e de mãos abanando.

Entre alagamentos que persistem pela falta de drenagem e promessas de campanha como o “Circo da Cidade” que nunca saíram do papel, Esmênia Miranda governa hoje sob a sombra de uma gestão que priorizou a vitrine virtual e deixou o estoque de problemas para a sucessora. A narrativa nos bastidores da cidade é uma só, Braide saiu para buscar um novo sonho político, enquanto Esmênia ficou com o pesadelo administrativo para resolver.