A pré-campanha política no Maranhão costuma produzir cenas curiosas. A última delas vem da região de Pedreiras, acompanhada de velhas figuras da política, como Fábio Gentil, Bruna Pessoa tenta construir uma imagem de “mulher do povo”, onde a advogada e empresária surgiu em fotos ao lado de quebradeiras de coco babaçu. No papel, o texto fala em “escuta ativa” e “aprendizado mútuo”. Na prática, o que se vê é o choque de dois mundos que raramente se cruzam fora do período eleitoral.
Bruna, que é irmã do prefeito Fernando Pessoa de Tuntum e gestora pública de carreira ascendente, sempre viveu cercada pelo conforto que o sucesso empresarial e o poder político proporcionam. Conhecida pelo estilo de vida sofisticado e pela paixão por cavalos de alto valor, a pré-candidata tenta agora vestir o figurino da “proximidade com o campo”. A pergunta que fica no ar entre os trabalhadores rurais é, quem nunca sentiu o peso do machado ou o calor do sol no lombo de um cavalo de lida, consegue realmente entender as dores de quem vive do extrativismo?
É louvável que Bruna queira aprender, mas é preciso mais coerência para que o “diálogo construtivo” não seja apenas um roteiro de marketing para ganhar curtidas e votos. A política maranhense não precisa de mais “turistas sociais”, precisa de quem saiba onde o calo aperta sem precisar de um fotógrafo por perto, mas nesse caso ela está a quilômetros de distância da realidade de uma quebradeira de coco.
Política se faz com vivência, não com “palanque de conveniência”. Antes de quebrar o coco, é preciso saber o que é o peso da vida sem as facilidades do poder. O resto, é apenas politicagem de vitrine.
Ouvir é importante, mas usar a imagem de comunidades tradicionais para suavizar um perfil de elite é uma estratégia antiga que o maranhense já conhece bem.