O Estadão revelou que o União Brasil atravessa uma das fases mais delicadas desde a sua criação. A poucos dias da abertura da janela partidária, parlamentares já falam abertamente em saída. A conta nos bastidores é de pelo menos 20 nomes entre deputados e senadores prontos para trocar de legenda, insatisfeitos com o comando nacional e com a falta de rumo claro dentro da sigla.
Parte das críticas recai sobre a condução da bancada na Câmara sob liderança de Pedro Lucas Fernandes. Deputados ouvidos pela coluna apontam que decisões importantes estariam sendo tomadas sem diálogo amplo, gerando desgaste interno. O episódio envolvendo a articulação para a vaga no Tribunal de Contas da União acirrou ainda mais os ânimos, após reunião ser desmarcada em meio a pressões da direção nacional. Para integrantes da bancada, faltou firmeza para defender um nome do próprio partido.
O sentimento que cresce é de enfraquecimento político. Criado a partir da fusão entre DEM e PSL, o União Brasil nunca conseguiu unificar completamente suas correntes internas. Agora, com a liderança sendo questionada e a cúpula sob críticas, a legenda entra na janela partidária sob risco real de perder força no Congresso. Março pode marcar não apenas uma troca de partido, mas um divisor de águas para o futuro da sigla.