Promessas de campanha virou lembrança distante e a realidade voltou a se impor com força em Arame. Bastaram as primeiras chuvas na manhã desta quarta-feira (18) para transformar ruas em rios, invadir casas e comércios e deixar o Mercado Público debaixo d’água mais uma vez. O cenário se repete ano após ano, como um retrato do abandono que insiste em sobreviver no coração do município, especialmente na Avenida Guarin, no Centro, por onde toda a água desce sem qualquer controle e sem que nenhuma solução definitiva tenha sido executada.
Durante a campanha de 2020, o prefeito Pedro Fernandes dizia que Arame era um “ovo”, pequeno e fácil de resolver. O discurso parecia simples, quase uma garantia de solução rápida. Mas o que se vê hoje é o oposto. Obras feitas com dinheiro público não resistem à primeira chuva. O asfalto novo cede, intervenções recentes fracassam e serviços que deveriam proteger a população acabam virando símbolo de desperdício e improviso. Na descida que leva ao Mercado Público, a obra feita justamente para evitar alagamentos não suportou o primeiro teste, repetindo o mesmo roteiro de frustração já visto em outras áreas.
O drama ficou ainda mais evidente na Rua do Clóves, no Alto da Torre, na sede do município, uma área considerada alta, onde uma família teve a casa invadida pela água e perdeu quase tudo. Nem mesmo quem vive em pontos elevados escapou. O que era para ser proteção virou risco. Moradores convivem com prejuízos, lama e o medo constante de doenças como leptospirose. A cada inverno, a cena se repete e reforça a pergunta que ecoa nas ruas alagadas, o que foi feito, de fato, para resolver um problema que o próprio prefeito disse que seria fácil de acabar.
Me veio a mente um dos pontos turísticos de São Luís, a Lagoa da Jansen, uma promessa desde de 2011 que também nunca saiu do papel Veja