PESQUISAS DISCO VOADOR NO MARANHÃO?
Quem andou vendendo pesquisas fantasmas para o governador Carlos Brandão
Durante meses, o Maranhão viveu uma realidade paralela cuidadosamente construída nos bastidores do poder. Pesquisas internas, números “confortáveis” e discursos afinados pintavam o governador Carlos Brandão como um dos gestores mais bem avaliados do país. Um verdadeiro campeão de aprovação, ao menos no papel.
Mas bastou uma pesquisa fora do controle local para a narrativa desmoronar.
Levantamento divulgado pelo UOL, com base em dados nacionais, jogou por terra a tese do “governador popular”. Segundo a pesquisa, Brandão aparece apenas na 24ª colocação entre os 27 governadores, com 33% de aprovação, 51% de desaprovação e 16% dos entrevistados sem saber opinar.
O governador do Maranhão ficou tecnicamente empatado com Raquel Lyra (PE) e Ibaneis Rocha (DF), superando apenas o último colocado, Wilson Lima (AM). Bem distante do topo do ranking, ocupado por Ronaldo Caiado (GO), que lidera com expressivos 80% de aprovação.
O levantamento ouviu 200.980 pessoas em todo o país, entre outubro e dezembro de 2025, com margem de erro entre 1 e 4 pontos percentuais, a depender do estado. Ou seja: não é pesquisa encomendada para agradar plateia local, nem levantamento ajustado a conveniências políticas regionais.
A discrepância entre os números nacionais e os dados que vinham sendo divulgados no Maranhão levanta uma pergunta incômoda, e inevitável:
Quem andou vendendo pesquisas fantasmas ao Palácio dos Leões?
Quem garantiu que “estava tudo bem”?
Quem sustentou a tese de alta aprovação?
Quem alimentou um ambiente de conforto político que simplesmente não existe fora das fronteiras do estado?
Quando as pesquisas não passam pelo filtro dos interesses locais, a realidade aparece. E ela não bate com o discurso oficial. Mais um mito cai na intensa disputa pelo poder no Maranhão, e alguém, certamente, terá de explicar essa nave cheia de números mágicos que acabou caindo.
MORREU… MAS PASSA BEM
Câmara de São Luís faz minuto de silêncio por pessoa viva e protagoniza vexame histórico
A Câmara Municipal de São Luís conseguiu ir além do constrangimento comum da política e protagonizar uma cena digna de humor involuntário. Durante sessão plenária realizada na última quarta-feira (17), vereadores fizeram um minuto de silêncio pela morte de uma pessoa que estava viva , e tudo foi transmitido ao vivo.
O episódio começou quando o vereador Antônio Garcez (PP) interrompeu os trabalhos para anunciar o suposto falecimento do jornalista, professor universitário e ativista cultural Euclides Moreira Neto.
“Acabei de receber a notícia do falecimento do Euclides Moreira”, declarou o parlamentar, sem apresentar qualquer checagem mínima da informação. O pedido foi imediatamente acatado pelo presidente da Casa, Paulo Victor (PSB), que prestou condolências e conduziu o minuto de silêncio, solenemente, diante das câmeras oficiais da Câmara.
Minutos depois, veio o detalhe que transformou o episódio em vexame institucional:
O ‘falecido’ estava vivo.
O próprio Euclides Moreira Neto precisou usar as redes sociais para desmentir a informação e tranquilizar amigos, colegas e familiares. Bastante conhecido no meio cultural maranhense, com atuação destacada no Carnaval, ex-secretário municipal e atualmente professor do curso de Comunicação da UFMA, ele relatou que o erro causou transtornos reais.
“Foi lamentável. A informação não foi checada. Isso viralizou, virou piada e causou protestos. Teve gente que passou mal achando que eu tinha morrido”, relatou. Segundo ele, uma amiga chegou a baixar a pressão em um supermercado e precisou ser socorrida.
O episódio escancarou a total ausência de cuidado com a informação dentro do plenário da Câmara Municipal. Uma fake news atravessou o microfone oficial, virou ato solene e ganhou transmissão institucional sem qualquer verificação prévia.
O resultado foi constrangimento, memes, indignação e um alerta grave: quando nem a morte é checada antes de ser anunciada, o problema não é apenas a gafe, é a banalização da responsabilidade pública.
FÉ OU VOTO?
Quando o púlpito vira palanque e o apoio é empurrado goela abaixo
A senadora Eliziane Gama usou um evento religioso para declarar que seu mandato “pertence à igreja”. O discurso explícito foi lido nos bastidores como tentativa de reconstruir base política via pressão religiosa. Ao invés de resultados concretos, aposta-se no emocional. O problema: nem dentro da própria igreja o apoio parece fechado.
CONFESSOU, MATOU, VOLTOU
Em Igarapé Grande, a caneta ignora o óbvio
Um prefeito que confessou ter matado um policial militar reassumiu o cargo. O caso choca pela naturalização da impunidade quando o réu ocupa posição de poder. Para a população, fica a mensagem perigosa: a lei tem pesos diferentes.
SEM DESCONTO
PF entra em cena e a blindagem local não segura
Um senador maranhense virou alvo da Polícia Federal em operação sobre a farra do INSS. A investigação segue, mas o desgaste já é nacional. Quando a lupa é federal, o discurso local não resolve.
VERÃO, INVERNO… E O CAOS CONTINUA
Transporte público segue no automático, contra o usuário
Em São Luís, nada muda. A Justiça determinou a retirada de 52 ônibus da empresa 1001 por dívida de aluguel, enquanto a prefeitura segue sem solução. O passageiro continua pagando a conta do improviso.
A FUNCIONÁRIA QUE NINGUÉM VIU
Salário pago, trabalho invisível, TCU investigando
Denúncia revelada pelo Metrópoles aponta funcionária fantasma ligada a um ministro com base no Maranhão. Prejuízo estimado: R$ 284 mil. Prática antiga, agora sob apuração.
CRECHE DE OURO
Contrato caro, obra estranha e silêncio oficial
No Maiobão, a construção de uma creche virou símbolo de contrato milionário com execução questionável. Valor alto, dúvidas na obra e explicações que não aparecem.
NEGÓCIO MAL EXPLICADO
Acordo milionário, promessa quebrada e muita influência
Uma negociação de alto valor envolvendo político influente no Maranhão e em Brasília segue sem desfecho. Parte paga, parte pendente. Empresários revoltados. Nomes em sigilo, por enquanto.
ECONOMIA SOLIDÁRIA… PRA QUEM?
Terceirizados pedem ajuda para comprar comida
Funcionários da limpeza ligados a uma secretaria estadual estariam há dois meses sem ticket alimentação. Enquanto o discurso fala em dignidade, trabalhadores pedem cesta básica.