Uma pesquisa divulgada nas redes sociais aponta que 90,1% dos ludovicenses seriam contra a abertura de processo de cassação do prefeito Eduardo Braide. O levantamento diz ter ouvido 705 pessoas no dia 6 de dezembro, em uma cidade que hoje ultrapassa 1.089.215 habitantes. Surreal! A conta não fecha.
Na prática, a pesquisa tenta passar a ideia de que São Luís rejeita quase por completo qualquer debate sobre impeachment. Mas 705 entrevistas representam menos de 1% da população. Mesmo com margem de erro de 3,7 pontos, o número é pequeno diante do tamanho da capital.
O problema é que a própria pergunta da pesquisa já puxa para o lado do prefeito. Ela usa como base o argumento de que Braide estaria sendo processado por ter recusado aumento do próprio salário, versão defendida pelo próprio gestor. Isso acaba influenciando a resposta de quem foi ouvido.
O mesmo levantamento afirma que 84,8% da população considera Braide o gestor que mais tem feito por São Luís, contra 7% do governador Carlos Brandão e apenas 2,6% da Câmara Municipal. Um cenário perfeito demais para um prefeito que enfrenta um pedido formal de cassação.
O processo contra Braide tem base em denúncias de descumprimento de leis, cortes salariais em servidores, aposentados e pensionistas e questionamentos sobre o reajuste do próprio salário. O caso já está oficialmente na Câmara.
Com a internet, qualquer pé rapado monta um instituto, cria gráfico bonito, solta número redondo e espalha nos grupos de WhatsApp. Partidos, prefeitos, candidatos e cabos eleitorais fazem um verdadeiro festival de “pesquisas” para tentar influenciar a opinião pública.
Quando um levantamento surge do nada em meio a um processo de impeachment, deixa de ser apenas pesquisa e vira instrumento de disputa. Gráfico não decide futuro de prefeito. Quem decide agora é a Câmara, o resto é barulho tentando brincar com o povo.
