Psicólogos possuem um protocolo para identificar um mitômano. O sujeito não sente culpa ou medo de ser descoberto. Suas histórias são sempre exageradas. Ele inventa sem motivo aparente ou ganho, aparece como herói ou vítima e repete as mentiras em versões diferentes. Tudo para sustentar a imagem que tenta construir para si próprio. Não é por acaso que a mitomania também é chamada de “pseudologia fantástica” ou “mentira patológica”, um transtorno psicológico marcado pela tendência compulsiva de mentir sem que exista necessariamente demência.
O mentiroso tradicional usa a imaginação para ter proveito ou vantagem, algo comum na política. Já o mitômano mente para disfarçar a sua própria realidade, para se sentir confortável, mais interessante ou aceito pelo grupo do qual faz parte. E, César Castro, prefeito de Cachoeira Grande, reúne todos os elementos que fez o portal slzma o classificar como o gestor que mais sofre desse comportamento na região do Munin no Maranhão.
Os exemplos são muitos. Em um dos vídeos mais comentados, César aparece mergulhando no rio Munim e afirma que saiu da água com dois peixes vivos na mão, como se tivesse capturado ali mesmo. Em outra gravação, diz que toma café na casa dos moradores para “debater a cidade”, quando, na prática, nunca tratou de investimentos ou planejamento. Apenas repetiu promessas vazias. Houve ainda o vídeo em que comemorou o suposto “selo ouro” da educação, mais uma invenção, já que o indicador oficial é o IDEB. Cachoeira Grande ficou abaixo da média, marcando 5.4 quando o mínimo esperado é 6.0. Para completar, circula outro vídeo em que ele garante que visitou a zona rural para agradecer votos, mas moradores afirmam que isso nunca ocorreu. O prefeito chega ao ponto de mentir até para si mesmo, repetindo a história absurda de que pegou peixe com as próprias mãos, mesmo sem ter pegado nada.
Além das mentiras em vídeo, existem as mentiras prometidas e não cumpridas. César garantiu uma ambulância para o povoado Santo Antônio e nunca entregou. Anunciou asfalto no São José dos Lopes e nada foi feito. Prometeu uma ponte de ferro na Peroba, mas entregou uma de madeira. Disse que construiria a ponte da Conceição em concreto e também não cumpriu. Afirmou que recuperaria todas as estradas rurais, mas elas seguem abandonadas. E o caso mais grave: já vai fazer um ano que os alunos da zona rural estão sem transporte escolar, mostrando que a realidade é totalmente diferente do discurso. A lista ainda inclui a ponte do Pirangi, também não realizada como prometido. Para quem acompanha o histórico, fica claro que a fantasia virou rotina na gestão de Cachoeira Grande. Só falta avisar aos seus aliados. A mitomania pode ser contagiosa.

