O ditado é antigo, mas segue atual: nem tudo que reluz é ouro. Em Alcântara, essa frase resume bem o contraste entre a realidade vivida pelos moradores e o tapete vermelho estendido para o prefeito Nivaldo Araújo (PSB), que recebeu o Selo Ouro na categoria Prefeito da Educação, durante o Prêmio Escola Digna promovido pelo Governo do Maranhão.
Enquanto o gestor posa para fotos e recebe homenagens por “transformar a educação”, comunidades inteiras seguem esquecidas, e a verdade é que a transformação que chegou foi só no discurso.
No povoado Iririzal, por exemplo, a Unidade Escolar João Paulo II está desativada há dois anos. Abandonada, com estrutura comprometida, mato tomando conta e sem qualquer sinal de reforma, a escola é um retrato fiel do que a população realmente vive: descaso, abandono e falta de compromisso com o básico.
O prêmio entregue ao prefeito fala em “educação de excelência”, “ambiente inclusivo” e “boas práticas educacionais”. Mas que excelência é essa que exclui comunidades inteiras? Que boas práticas são essas que ignoram alunos sem escola e professores sem estrutura para trabalhar?
A educação de verdade não se faz com troféu, se faz com respeito. E respeito, por aqui, está em falta.
É importante que a população de Alcântara enxergue além dos holofotes. A maquiagem feita para eventos não apaga a realidade. E a realidade é clara: não existe selo de ouro que esconda uma rede de ensino jogada às traças.
De que vale um selo dourado na estante do gabinete, se nas comunidades o que reluz é só o descaso?