A eleição da Mesa Diretora da Câmara Municipal de São Luís foi parar na Justiça justamente quando a disputa pela presidência já tinha um placar político desenhado.
De um lado, Beto Castro (Avante) afirmava reunir 21 apoios. Wendell Martins (Podemos), Octávio Soeiro (PSB), Thyago Freitas (PRD), Paulo Victor (PSB), Romeo Amim (PRD), Daniel Oliveira (PSD), Cleber Verde Filho (MDB), Fábio Macedo Filho (Podemos), Marlon Botão (PSB), Marcelo Poeta (PSB), Raimundo Penha (PDT), Andrey Monteiro (PV), Édson Gaguinho (PP), , Antônio Garcês (PP), Coletivo Nós (PT), Marcos Castro (PSD), Raimundo Júnior (Podemos), Astro de Ogum (PCdoB) e Rosana da Saúde (Republicanos) e Concita Pinto (PSB).
Do outro, Marquinhos (União Brasil) aparecia com cinco declarações públicas. Clara Gomes (PSD), Aldir Júnior (PL), Thay Evangelista (UP) e Professora Magnólia (UP). Outros cinco vereadores ainda não haviam revelado o voto. Douglas Pinto (PSD), Nato Júnior (PDT), Dr. Joel (PSD), André Campos (UP) e Flávia Bertiher (PL).
Agora, a eleição que estava marcada para 1º de outubro foi suspensa por decisão liminar do juiz Itaércio Paulino da Silva, da 3ª Vara da Fazenda Pública de São Luís.
E há um detalhe que chama atenção no novo capítulo dessa disputa.
Os cinco vereadores que ainda apareciam fora do placar público estão entre os autores do mandado de segurança que questionou o processo eleitoral da Câmara: Aldir Júnior, Douglas Pinto, André Campos, Dr. Joel e Flávia Berthier.
Na ação, os parlamentares apontaram quatro possíveis irregularidades, entre elas questionamentos sobre a emenda que alterou o calendário da eleição, a convocação da sessão extraordinária, as regras de votação e o prazo para registro das candidaturas.
Também foi levantado um ponto político sensível, a eleição estava marcada para apenas três dias antes do primeiro turno das eleições gerais de 2026, quando nove dos 31 vereadores estariam envolvidos em disputas eleitorais. Os cinco autores do mandado de segurança estavam entre eles.
O juiz acolheu parte dos argumentos e suspendeu o edital e a sessão marcada para 1º de outubro. Mas a decisão não proibiu uma nova convocação. A Câmara poderá marcar outro pleito, desde que observe as regras da Lei Orgânica e do Regimento Interno.
Na prática, a decisão interrompeu uma eleição que já vinha sendo tratada nos bastidores como uma possível vitória de Beto Castro, que tem o apoio declarado do atual presidente. Para quem vê a atual Câmara como um Legislativo que perdeu força e credibilidade perante a sociedade, a continuidade de um candidato ligado ao Paulo Victor pode ser vista como a mesmice.
A votação, agora, deixou de ter data definida.
E os cinco vereadores que ainda não haviam declarado publicamente seus votos passaram a ocupar um espaço ainda mais importante nessa disputa.
Quando a eleição for novamente convocada, o placar de 21 a 5 continuará de pé, ou a suspensão judicial vai abrir espaço para uma nova rodada de negociações, mudanças de apoio e disputa pelo comando da Casa?
Por enquanto, a eleição parou.
A disputa política, não.