CONTRA OS FATOS. Puxa a cadeira, meu amigo, porque a política maranhense em Brasília veio regado a muito oportunismo e uma pitada generosa de constrangimento. Nessa semana, o clã Sarney abriu as portas em Brasília para um jantar que, na teoria, era para demonstrar força, mas na prática, serviu para expor o tamanho do isolamento e das costuras forçadas que tentam empurrar goela abaixo do eleitor.
O velho Sarney tentou montar um cenário de gala. Chamou a cúpula do MDB nacional, Baleia Rossi, Eduardo Braga, Renan Calheiros, Renan Filho, Jader Barbalho e Isnaldo Bulhões. Sabe o objetivo real? Validar a pressão dos bastidores para lançar a deputada federal Roseana Sarney ao Senado, tendo como primeiro suplente o próprio irmão, Fernando Sarney.
Mas vamos falar o que ninguém tem coragem de dizer sem filtro, a candidatura de Roseana ao Senado interessa a quem, cara pálida?
Para começo de conversa, precisamos olhar para a realidade, e não para o retrovisor da história. Roseana já deu sua contribuição: foi deputada, senadora e governadora por quatro mandatos. Hoje, o debate que corre à boca miúda nos bastidores, e que aliados mais lúcidos ponderam, é que ela não tem a mínima condição física e muito menos necessidade política de encarar o desgaste de uma campanha majoritária. Estamos falando de uma disputa que exige esforço brutal, exposição, viagens intermináveis de sol a sol pelo interior do estado. Para quem enfrenta um tratamento de saúde delicado, essa movimentação parece mais uma crueldade de quem quer usar o nome dela como escudo do que um projeto real.
E politicamente? A conta não fecha. Se olharmos para a última eleição dela para a Câmara Federal, Roseana quase não se elegeu pelo partido, arrastando votos no limite. Se para deputada a votação já mostrou o tamanho do desgaste, imagine para o Senado.
Cadê o Lula?
O vexame do jantar começou pelas ausências. A bancada dos Sarney esperava a presença do presidente Lula ou, pelo menos, do presidente do PT, Edinho Silva. Nenhum dos dois pisou lá. Mesmo sabendo que tem palanque garantido pelo governador Carlos Brandão.
E qual é esse desenho? É aí que a maquete de Brasília desmorona.
O tabuleiro está ocupado? (E não tem cadeira para a ex-guerreira)
O grupo do governador Brandão tem compromissos amarrados e desenhados. São duas vagas para o Senado, e as duas já têm dono ou grife definida?
A primeira vaga é de Weverton Rocha (PDT): Acabou o mistério e as especulações de bastidores. Weverton bateu o martelo, avisou Brandão e os aliados que vai disputar a reeleição ao Senado (deixando a disputa federal para Erlânio Xavier). Essa é uma indicação diretamente ligada ao presidente Lula. Ponto final.
A segunda vaga é da Federação União Progressista (União Brasil/PP): Aqui o bicho pega numa disputa interna de gigantes entre André Fufuca (respaldado por Ciro Nogueira) e Pedro Lucas Fernandes (que ganhou força com Antonio Rueda). Quem for para o Senado tenta passar a base federal para a família, como Pedro Lucas, que planeja herdar os votos para o irmão, Paulo Casé. O governador Brandão já avisou: apoia quem a federação escolher.
Diante desse cenário engessado, a pergunta que o SLZMA Sem Filtro faz é, Onde vão encaixar Roseana Sarney senadora? E outra, ainda tem a presidente da assembleia que esta caladinha, e já disse, sou de grupo.
Portanto, há espaço político no grupo governista? Há fôlego físico na pré-candidata e o eleitorado já mandou o recado nas urnas passadas. Insistir nessa história de Roseana ao Senado com Fernando na suplência parece mais um plano desesperado de um clã que se recusa a aceitar que o tabuleiro mudou, tentando queimar o último cartucho de uma liderança que merecia o respeito do descanso, e não a exposição ao ridículo em Brasília.
PRETO NO BRANCO. O jogo político aqui no Maranhão é rápido. A oposição cantou vitória com a liminar do juiz Douglas de Melo Martins que suspendeu o empréstimo de R$ 1,3 bilhão que o governo tentava contratar. A ação, movida pelo deputado Rodrigo Lago (PSB), apontou supostas falhas em contratos anteriores e o risco de uso político dos recursos em ano eleitoral. O magistrado travou tudo sob multa diária de R$ 100 mil. O Palácio dos Leões alegou que a saúde fiscal do estado é nota máxima e que o bloqueio vai parar obras, mas a canetada judicial falou mais alto.
Só que o governador Carlos Brandão não perdeu tempo chorando o revés do bilhão. No dia seguinte, ele correu e deu uma resposta cirúrgica para mudar o foco, anunciou o maior concurso da história da Segurança Pública, com 3.350 vagas imediatas via Cebraspe. Foi uma jogada para esvaziar o discurso da oposição. Enquanto os adversários comemoravam o travamento das verbas, Brandão entregou o que o povo quer, emprego e mais polícia na rua. Ele mostrou que tem reflexo rápido para atropelar a crise com o Diário Oficial debaixo do braço.
PAPO DE GABINETE. Nada passa batido mesmo nem SLZ, após a Polícia Federal deflagrar a Operação Arthros. O rastro de desvio de dinheiro público e notas frias para abastecer um “gabinete paralelo” nas eleições de 2024 sacudiu as estruturas do estado, resultando em buscas em mansões e no afastamento de servidores públicos.
Mas o verdadeiro “papo de gabinete” que agita a capital é o que aconteceu nos minutos seguintes à chegada dos agentes federais. A informação que corre quente nos bastidores é que, logo após o susto da operação, uma das figuras centrais atingidas pelo turbilhão da PF não quis saber de dar explicações em público, pegou o carro e correu imediatamente para se abrigar em um badalado condomínio de luxo no bairro do Renascença, onde figuras de poder residem. Fica o questionamento que não quer calar nos corredores da política, o que teria levado um dos principais envolvidos na investigação a buscar refúgio às pressas nesse condomínio de alto padrão logo após ver a PF bater à sua porta? O que foi confidenciado ou escondido nessas quatro paredes enquanto o bicho pegava do lado de fora? Quem tem teto de vidro, corre para onde o vidro é mais caro.
NÃO PASSOU BATIDO
A canetada no ar-condicionado: O prefeito de Presidente Médici, Caçula Coelho, tentou ganhar tempo no TCE-MA para explicar as supostas irregularidades em um pregão de instalação de ar-condicionado. Seu pregoeiro pediu prorrogação de prazo, mas o conselheiro Marcelo Tavares deu um sonoro “não”. Em Presidente Médici, a pressa para contratar parece grande, mas na hora de explicar as falhas para o Tribunal, o ritmo diminui. Não passou batido!
A merenda azedou em Buriticupu: O prefeito João Carlos Teixeira da Silva sentiu o peso da Operação Comensal. O Ministério Público passou o rodo em um esquema de fraude de merenda escolar, com direito a uso de empresa de fachada de ex-marido e “caixa dois” milionário. O desembargador José Joaquim Figueiredo dos Anjos não quis saber de conversa: afastou o prefeito por 90 dias e mandou instalar a tornozeleira eletrônica. O almoço grátis com o dinheiro das crianças acabou. Não passou batido!
Copia e cola de R$ 500 mil em São Luís: Enquanto os artistas da terra recebem propostas de editais sem cachê para tocar no Mirante da Cidade, a Prefeitura de São Luís abriu o cofre para o São João de 2026. Fechou Henry Freitas por R$ 600 mil e o grupo Seu Desejo por R$ 500 mil. O deboche é tamanho que, no contrato da banda Seu Desejo, a prefeitura justificou que o show de junho seria para o “Carnaval de São Luís”. Erro crasso de copia e cola que mostra o amadorismo com o dinheiro público. Não passou batido!