CONTRA OS FATOS
Ranking coloca Eliziane no topo. Mas topo de quê?
O Ranking dos Políticos colocou Eliziane Gama como a senadora mais bem avaliada do Maranhão em 2026, com nota 7,15. O resultado chama atenção, principalmente porque avaliação de ranking e avaliação do eleitor nem sempre caminham pela mesma estrada.
A própria metodologia considera itens como votações, gastos, presença e outros critérios de atuação dentro do Congresso. Ou seja, a nota mede determinados aspectos do mandato, não necessariamente a força política ou a aprovação popular no Maranhão.
E é aí que fica a pergunta, o que vale mais, a nota de um ranking ou aquilo que o eleitor demonstra nas urnas e nas pesquisas? Porque fazer um bom trabalho em Brasília é uma coisa. Conseguir transformar esse trabalho em reconhecimento dentro do próprio Maranhão é outra bem diferente.
PRETO NO BRANCO
Rodrigo lago acusa governo de fraude contábil e leva caso aos órgãos de controle
O deputado estadual Rodrigo Lago (PSB) apresentou denúncias aos órgãos de controle envolvendo supostas irregularidades nas contas do Maranhão. Segundo o parlamentar, dados contábeis teriam sido manipulados para criar uma aparência de equilíbrio financeiro e facilitar a contratação de empréstimos pelo Estado.
Entre as acusações estão possíveis irregularidades em despesas relacionadas à MA-372 e questionamentos sobre a atuação do então presidente do TCE-MA, Daniel Brandão, sobrinho do governador Carlos Brandão. Lago também levanta suspeitas sobre possíveis conflitos de interesse e emissão de certidões de regularidade.
Preto no branco: até aqui, são acusações feitas pelo deputado e encaminhadas para apuração. Não são crimes comprovados. Agora, cabe aos órgãos competentes analisar documentos, investigar os fatos e dizer se houve ou não irregularidades. Se houver crime, os responsáveis precisam responder. Se não houver, que isso também fique esclarecido.
POR DENTRO DO JOGO
Levantamento do Poder 360 mostra que eleição no MA pode ser decidida no 1º turno
Um levantamento feito pelo Poder360 mostra Eduardo Braide (PSD), com 44% das intenções de voto para o Governo do Maranhão, contra 25% de Orleans Brandão (MDB). São 19 pontos de diferença entre os dois principais nomes.
O número não significa que a eleição já esteja decidida. Para vencer no primeiro turno, é preciso passar de 50% dos votos válidos. Mas a distância coloca Braide em uma posição confortável sobre seus adversários.
NÃO PASSOU BATIDO
Fufuca tentou tirar artigo do ar. a justiça disse não
O candidato ao Senado André Fufuca (PP), foi à Justiça Eleitoral para tentar retirar da internet um artigo do jornalista e professor Ed Wilson Araújo, que faz duras críticas à sua trajetória política e às suas alianças. O pedido, porém, foi negado em decisão liminar.
O juiz entendeu que não havia elementos suficientes para mandar retirar o texto do ar e destacou a importância da liberdade de expressão e da informação em assuntos de interesse político. Depois da decisão desfavorável, a própria defesa de Fufuca pediu a desistência da ação. Por enquanto, a crítica continua disponível para quem quiser ler.
CAFÉ SEM AÇÚCAR
A moto ficou sem IPVA. mas o mandato apareceu só agora?
O deputado estadual Ariston (MDB), decidiu levar para o horário eleitoral uma das medidas que apresenta como principal conquista do mandato, a isenção de IPVA para motos de até 170 cilindradas. A medida foi aprovada pela Assembleia em dezembro de 2025, depois que uma emenda apresentada pelo próprio deputado ampliou o limite de 155 para 170 cilindradas.
A isenção é boa para o trabalhador, disso ninguém duvida. O problema é outro, por que uma medida aprovada antes da eleição agora aparece como grande cartão de visita da campanha?
O eleitor precisa separar as coisas. Benefício para a população deve ser reconhecido. Mas eleição também é hora de perguntar o que o parlamentar fez durante todo o mandato, quais foram suas outras entregas e onde estava quando não era época de pedir voto. Porque propaganda eleitoral dura alguns minutos. O mandato dura quatro anos.
PAPO DE GABINETE
A toga passa, a lei fica
A crise que hoje envolve o STF precisa ser tratada com seriedade. Mas uma coisa precisa ficar clara, defender a instituição não significa proteger quem eventualmente tenha cometido algum crime dentro dela. O Supremo é maior do que qualquer ministro, assim como a Justiça é maior do que qualquer autoridade.
Ministros passam, governos passam, grupos políticos passam e até as maiores famílias do poder um dia deixam de mandar. O que precisa permanecer é a lei. Por isso, se existem denúncias, suspeitas ou indícios de crimes envolvendo autoridades, tudo precisa ser investigado. Sem perseguição, sem proteção e sem escolher lado. E, se houver culpa, que exista punição.
O Brasil já mostrou muitas vezes que o poder pode criar uma espécie de blindagem para quem está no topo. É justamente aí que a Justiça precisa ser mais firme. Não importa se o suspeito usa toga, ocupa um cargo público, tem influência política ou pertence a uma família poderosa. Quando há indícios de crime, a pergunta não pode ser quem é a pessoa, mas o que aconteceu.
Também não se pode usar uma crise para atacar toda uma instituição. O STF é importante para a democracia e precisa ser respeitado. Mas respeito não significa silêncio. A verdadeira força da Justiça aparece quando ela consegue investigar os seus próprios problemas e responsabilizar quem ultrapassa os limites da lei.
No fim, a regra deveria ser simples, ninguém está acima da lei. Nem ministro, nem governador, nem político, nem empresário e nem família poderosa. A toga não pode ser escudo, o cargo não pode ser salvo-conduto e o poder não pode servir de proteção. Se houve crime, que seja investigado. Se houve culpa, que haja punição. É assim que uma instituição se fortalece.