O prefeito Fred Campos resolveu subestimar a inteligência do povo luminense. Colocou o irmão debaixo do braço e percorreu mais de 330 km até Paulo Ramos, numa viagem que, na prática, teve cheiro de campanha. Nas redes sociais, afirmou que foi apenas “prestigiar” o aniversário da cidade. Até aí, tudo bem. O problema é o contexto. Não é segredo para ninguém que o irmão do prefeito é pretende disputar uma vaga de deputado estadual. O que revolta é ver o gestor deixar Paço do Lumiar a deriva para cumprir agenda política. Com a vice-prefeita de licença, o município ficou, na prática, sem comando.
A viagem contou também com a companhia dos vereadores Kamila Belfort, Joel do Churrasco e Paulo Henrique, que deveriam estar fiscalizando a gestão e defendendo os interesses da população, também embarcaram na viagem. Em vez de cobrar soluções para os problemas da educação de Paço do Lumiar, preferiram acompanhar o prefeito em uma agenda política, deixando a cidade à própria sorte em um momento de caos e revolta da população.
Isso não é normal, nem aceitável. Educação é direito garantido, não favor da gestão. Nenhuma mãe ou pai deveria dormir em calçada, enfrentar frio e humilhação para tentar colocar uma criança na escola. Enquanto isso, o prefeito parece mais preocupado com palanque, foto e articulação política fora da cidade do que com os problemas reais da população que o elegeu.
Enquanto isso, a angústia continua. “Passar a noite na fila, na frieza, com criança pequena, e ainda correr o risco de receber um ‘não’ no dia seguinte é desumano”, desabafou outra mãe.
Viajar para fazer política enquanto a cidade sofre é um desrespeito com quem mais precisa. As crianças precisam estar em sala de aula, e os pais precisam de respostas. Governar é priorizar, e neste momento, a prioridade claramente não está onde deveria estar.