André Fufuca é carta fora do baralho

As longas conversas e as promessas sustentadas pelo deputado federal e ex-ministro André Fufuca (PP) nos últimos meses foram liquidadas por um anúncio relâmpago, e ao que parece, ele já é considerado carta fora do baralho. O balde de água fria definitivo veio com a passagem do presidente nacional do (PT), Edinho Silva, por São Luís. Em despacho oficial, o dirigente petista foi categórico ao confirmar que o plano do Palácio do Planalto no Maranhão já tem donos, Lula apoiará exclusivamente as reeleições dos senadores Weverton Rocha (PDT) e Eliziane Gama (PSD).

Fufuca, parece estar sentindo o peso dessa realidade na pele. Após passar meses sustentando a narrativa de que teria o apoio do presidente Lula para sua candidatura ao Senado e o controle de uma “legião” de prefeitos, o parlamentar viu seu castelo de cartas começar a desmoronar nesta última semana.

A confirmação isolou os planos de Fufuca, cuja fidelidade política sempre foi vista com desconfiança pelo núcleo duro do PT. Afinal, a memória política não é curta: em 2022, o ex-ministro carregou nos ombros o apoio à reeleição de Jair Bolsonaro, aproximando-se de Lula apenas após a vitória petista de olho no espaço fisiológico do Ministério do Esporte.

Para piorar o cenário de isolamento do Progressista, as movimentações no Palácio dos Leões indicam que as portas também estão se fechando no grupo governista. Diante da necessidade de acomodar aliados de real fidelidade, o grupo comandado por Carlos Brandão e o pré-candidato ao Governo, Orleans Brandão (MDB), sinaliza uma forte tendência de optar pelo deputado federal Pedro Lucas Fernandes (União Brasil) para a composição da chapa majoritária.

Sem a benção de Lula, preterido pelo grupo dos Brandão e vendo que o discurso de “centenas de prefeitos aliados” não se sustenta quando a pressão real das urnas se aproxima, Fufuca vai, gradativamente, ficando pelo meio do caminho. Na política, quem tenta jogar em todos os lados costuma terminar exatamente assim: sobrando.

O jogo começou, e não há mais lugar para amador.