Um concurso realizado em 2017 terminou em uma disputa judicial que levou uma candidata classificada em 2.018º lugar na prova objetiva à posse como delegada de polícia no Maranhão.
Ariana Sampaio Sousa havia sido eliminada na primeira fase. O edital previa 20 vagas imediatas e cadastro de reserva com 80 nomes. Na ampla concorrência, apenas os 225 primeiros colocados poderiam seguir para a prova discursiva. Ariana ficou 1.793 posições abaixo desse limite e não avançou para as demais etapas.
Anos depois, a Justiça mudou o rumo do caso. A defesa de Ariana recorreu ao Judiciário e alegou que ela havia acertado 60 das 100 questões, alcançando a pontuação mínima prevista. Também citou uma lei estadual de 2024 que flexibilizou a chamada cláusula de barreira.
Uma liminar permitiu que Ariana continuasse no concurso. Ela fez o curso de formação e foi aprovada. Em abril de 2025, o juiz Osmar Gomes dos Santos, da 1ª Vara da Fazenda Pública de São Luís, determinou sua nomeação. A posse ocorreu em 12 de maio de 2025.
O Governo do Maranhão não aceitou a decisão e recorreu ao Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA). A Procuradoria-Geral do Estado afirma que a flexibilização da cláusula de barreira não poderia beneficiar quem havia sido eliminado antes de concluir todas as fases da primeira etapa.
O Ministério Público também se manifestou no processo e pediu a reforma da decisão, segundo informações divulgadas pelo jornalista Carlos Madeiro, do UOL
O caso ganhou repercussão após outro candidato questionar a nomeação. Ele afirma ter obtido nota superior à de Ariana na prova objetiva.
Ariana é filha do procurador Francisco Barros Sousa, atual subprocurador-geral de Justiça para Assuntos Jurídicos, e sobrinha do desembargador Raimundo Barros. O parentesco integra o contexto do caso, mas não há, nas informações divulgadas, indicação de que tenha interferido na decisão judicial.
Agora, o TJMA deverá decidir se mantém ou não a nomeação.