SLZMA Sem Filtro | A convenção do MDB de 2026 faz lembrar a de 2014; corrida do Senado parece a fila do INSS; prefeito piloto troca politica e vai para a vaquejada; e as crianças de Bacabal?

CONTRA OS FATOS

A convenção realizada neste sábado (25), que homologou a candidatura de Orleans Brandão ao Governo do Maranhão, reuniu uma grande estrutura política, prefeitos, deputados, lideranças e toda a força do grupo governista. O cenário lembrou outro momento da política maranhense, a campanha de Edinho Lobão, em 2014.

Naquele ano, Edinho foi lançado com o apoio de 18 partidos, 196 prefeitos, 30 deputados estaduais e 12 deputados federais. A campanha contava com grandes eventos, forte estrutura e o respaldo da máquina estadual. Mesmo assim, terminou a eleição com 33,69% dos votos, enquanto o adversário venceu com 63,52%.

Hoje, com e era das redes sociais, muitos maranhenses relembram e fazem paralelos com o cenário atual. Assim como naquela época, o Palácio aposta na força da máquina para impulsionar seu candidato. Ao mesmo tempo, levantamentos divulgados por diferentes institutos mostram um cenário variável, no qual Orleans Brandão aparece em posições favoráveis.

Na política, a história já mostrou que estrutura, apoio de lideranças e grandes convenções não garantem, por si só, o resultado das urnas. Quem dá a resposta definitiva é o eleitor.

E há ainda uma curiosidade que chama atenção, os dois compartilham o mesmo partido, o MDB.

PRETO NO BRANCO

A corrida pelas duas vagas ao Senado no Maranhão está lembrando a disputa por atendimento no INSS, tem fila, tempo de espera e gente fazendo de tudo para garantir um lugar. Dentro do próprio grupo governista, pode haver uma mudança de rota, e surgir mais um nome para a disputa, a avaliação é de que alguns aliados que hoje se colocam como pré-candidatos estão mais queimados do que “pau de assas castanha” com alto índice de rejeição, o que tem acendido o sinal de alerta lá para os lados de Brasília.

PAPO DE GABINETE

Enquanto boa parte da classe política concentrava as atenções na convenção do MDB, em São Luís, um prefeito chamou atenção pela ausência. Mesmo recebendo o apoio dos Leões, ele não se importou para retribuir. Quem esperava encontrá-lo no evento acabou sabendo que a agenda foi outra.

Durante a semana, dedicou-se a um hobby pouco comum para um gestor, passou o sábado aprendendo a pilotar helicóptero, depois preferiu prestigiar a tradicional vaquejada em Barrerinhas. Na política, às vezes, a ausência diz mais do que a presença. Há quem já esteja se perguntando, seria apenas coincidência ou é mais um que já que pular do barco?

POR DENTRO DO JOGO

O empresário Marcus Brandão, irmão do governador Carlos Brandão e pai do candidato ao Governo do Maranhão, Orleans Brandão, voltou a afirmar que é alvo de perseguição e chegou a falar em “verdadeiros absurdos jurídicos” e em “intervenção do Judiciário no Maranhão”.

O discurso, no entanto, chama atenção. Sempre que surgem questionamentos ou investigações envolvendo o grupo político, a narrativa da perseguição reaparece. Mas, na política, vale um velho ditado: quem não deve, não teme.

Se há convicção de que tudo foi feito dentro da legalidade, o caminho mais natural é responder aos fatos, apresentar esclarecimentos e confiar na atuação das instituições. Transformar críticas ou apurações em perseguição pode até mobilizar apoiadores, mas dificilmente encerra os questionamentos. Afinal, em uma democracia, fiscalização e cobrança fazem parte das regras do jogo.

NÃO PASSOU BATIDO

O Tribunal de Justiça do Maranhão escreveu um capítulo histórico ao atingir, pela primeira vez, a marca de nove mulheres ocupando o cargo de desembargadora. A conquista foi alcançada com a posse da magistrada Lucimary Castelo Branco Campos dos Santos, consolidando um avanço importante na representatividade feminina em um dos mais altos níveis do Poder Judiciário maranhense.

Mais do que um número, o momento simboliza o reconhecimento da competência e da trajetória de mulheres que conquistaram espaço em uma instituição historicamente marcada pela predominância masculina. A nova composição reforça o protagonismo feminino no TJMA e representa um marco para a Justiça do Maranhão, demonstrando que diversidade e qualificação caminham juntas na construção de um Judiciário cada vez mais representativo.

Após convenção jantar em restaurante de alto padrao

Enquanto contratados da Prefeitura de Altamira do Maranhão reclamam de salários atrasados e fornecedores aguardam pagamento, a participação do prefeito Marton Pajeú e de sua comitiva em um restaurante de alto padrão, após a convenção do MDB em São Luís, inevitavelmente chama a atenção. Afinal, se a situação financeira do município é tão delicada, esse era realmente o momento para esse tipo de compromisso?

CAFÉ SEM AÇUCAR

O Maranhão registrou o segundo maior aumento de desaparecimentos do Brasil em 2025, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública. Foram 244 pessoas desaparecidas, um crescimento de 29,8% em relação ao ano anterior.

Enquanto os números aumentam, uma pergunta continua sem resposta: e os irmãos Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, desaparecidos há mais de seis meses em Bacabal?

O caso, que comoveu todo o Maranhão, desapareceu das manchetes, mas não da memória da população. As investigações continuam? Quais foram os avanços? O que foi feito até agora? Há novas linhas de investigação?

Mais do que estatísticas, são famílias que vivem a angústia de não saber onde estão seus filhos. O Governo do Estado e os órgãos responsáveis precisam dar respostas à sociedade. Afinal, o desaparecimento de duas crianças não pode cair no esquecimento como se nada tivesse acontecido.

Porque, enquanto os números crescem, a pergunta continua a mesma: cadê Ágatha e Allan?